Lendas
São Romão, profundamente ligado à Serra da Estrela e marcado por uma longa continuidade de ocupação humana, preserva um rico conjunto de lendas e tradições que refletem a identidade e a memória coletiva da comunidade.
Lenda da Cabeça da Velha
São muitas as lendas que falam de amores proibidos, e também em São Romão encontramos uma dessas histórias. Tudo começou com Leonor, jovem órfã beirã, sobrinha de um fidalgo abastado chamado Bernardo. Criada sob a sua proteção, vivia resguardada do mundo, numa rotina sem sobressaltos nem emoções.
A sua vida mudou quando conheceu Afonso, um jovem nobre, mas de escassos recursos. Apaixonaram-se profundamente, mas conscientes de que aquela relação jamais seria aceite pelo tio, decidiram amar-se em segredo. Para isso contaram com a ajuda de Marta, aia fiel e confidente de Leonor, que se encarregava de organizar os encontros do casal.
Marta desempenhava o seu papel com dedicação, ao ponto de prometer que, se alguma vez traísse aquele segredo, se transformaria em pedra. Durante muito tempo, tudo correu bem. Mas um dia, Bernardo interceptou a aia com uma carta de Afonso. Apesar de tentar impedir, Marta acabou por revelar a verdade, pressionada pelo fidalgo, que então a obrigou a marcar um encontro para surpreender os amantes.
No dia combinado, Marta, consumida pela culpa, permitiu ainda assim que Leonor e Afonso se encontrassem. Como sempre, garantiu que vigiaria o local. Contudo, pouco depois
Lenda do Buraco da Moura
Outra das narrativas mais marcantes destaca-se a lenda do Buraco da Moura, lugar envolto em mistério onde, segundo a tradição, habitaria uma moira encantada guardiã de tesouros escondidos. Diz-se que, em certas noites, a figura surgia à entrada da gruta, penteando os seus cabelos de ouro e encantando quem por ali passasse, numa evocação de antigos mitos ligados à presença humana desde tempos remotos.
Lenda da Capela da Nossa Senhora da Estrela
A estas narrativas junta-se a tradição associada à Capela de Nossa Senhora da Estrela, cuja origem é atribuída a Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques. Segundo a lenda, durante uma caçada, Egas Moniz foi atacado por uma fera e, ao procurar refúgio junto de uma rocha, terá avistado uma imagem da Virgem. Nesse momento, o animal terá recuado, sendo o acontecimento interpretado como um milagre. Em agradecimento, mandou erguer naquele local a capela, inteiramente construída em granito, incluindo a cobertura, tornando-se um dos mais singulares testemunhos de devoção popular da região.