O Conjunto da Ribeira da Caniça, os Cornos do Diabo e o Buraco do Sumo integram um território de excecional interesse natural e geológico, onde a ação prolongada da água e dos processos de erosão esculpiu formas de grande singularidade paisagística.
A Ribeira da Caniça destaca-se pelo seu curso encaixado e pela envolvente de afloramentos rochosos e vegetação ribeirinha, criando um ecossistema rico e dinâmico, marcado pela presença constante da água como elemento modelador da paisagem. Ao longo do seu percurso, o vale revela sucessivas formações graníticas que evidenciam a evolução geomorfológica da região.
Neste contexto surgem os Cornos do Diabo, designação popular atribuída a um conjunto de formações rochosas de perfil invulgar e expressivo, cuja morfologia acentuada alimentou o imaginário local ao longo de gerações. Estas estruturas naturais, moldadas pela erosão diferencial, constituem um dos elementos mais emblemáticos da paisagem envolvente.
Já o Buraco do Sumo corresponde a uma cavidade natural inserida neste mesmo sistema rochoso, associada a processos de infiltração e circulação subterrânea de água, refletindo a complexidade geológica do local. A sua designação, profundamente enraizada na tradição oral, reforça a ligação entre o rigor da ciência geológica e a interpretação simbólica feita pelas populações.
Em conjunto, estes três elementos formam um espaço onde geologia, hidrologia e património imaterial se cruzam de forma harmoniosa, constituindo um cenário de elevado valor científico, ambiental e cultural.