A Igreja Matriz de São Romão apresenta-se como um edifício de elevado valor histórico, arquitetónico e patrimonial, refletindo, na sua própria estrutura, a evolução da freguesia ao longo dos séculos. A sua leitura arquitetónica evidencia um percurso construtivo longo e continuado, no qual diferentes épocas deixaram a sua marca, conferindo ao conjunto uma riqueza e complexidade singulares.
Trata-se de uma igreja paroquial de planta longitudinal, composta por nave única e capela-mor mais estreita, acompanhada por sacristia e outros anexos funcionais, características que traduzem uma tipologia comum na arquitetura religiosa tradicional portuguesa. A sua configuração atual resulta da integração de elementos de matriz quinhentista, posteriormente enriquecidos por intervenções de época barroca e de fases posteriores, visíveis na linguagem arquitetónica do edifício e na sua evolução formal.
Ao longo do tempo, o templo foi sendo sucessivamente adaptado e ampliado, em resposta às necessidades litúrgicas e à dinâmica da comunidade local. Esta continuidade de obras e melhoramentos permitiu a sobreposição harmoniosa de diferentes estilos e soluções construtivas, fazendo da igreja um verdadeiro palimpsesto arquitetónico, onde se cruzam distintas camadas da história de São Romão.
Deste modo, a Igreja Matriz não se afirma apenas como espaço de culto, mas como um elemento estruturante da identidade da freguesia. É um marco de referência patrimonial e um testemunho vivo da evolução histórica, social e espiritual da comunidade, onde arquitetura, memória e vivência coletiva se entrelaçam de forma indissociável.