A Capela de São Romão, localizada no centro da freguesia de São Romão, constitui um dos exemplares mais significativos da arquitetura religiosa local, integrando-se na memória histórica e espiritual da comunidade.
Segundo a informação do SIPA, trata-se de um edifício de origem antiga, associado a diferentes campanhas construtivas ao longo do tempo, o que lhe confere uma leitura arquitetónica marcada pela sobreposição de épocas. A sua configuração atual resulta de intervenções sucessivas, refletindo tanto a evolução do culto como as necessidades da população que sempre a manteve viva enquanto espaço de devoção.
Do ponto de vista arquitetónico, apresenta uma planta longitudinal simples, composta por nave única e capela-mor mais estreita e elevada, solução muito comum na tradição das capelas paroquiais portuguesas. O interior revela uma organização funcional e equilibrada, com coberturas em madeira e elementos decorativos que evidenciam influências de diferentes períodos, desde soluções mais sóbrias de matriz maneirista até apontamentos de gosto barroco introduzidos em fases posteriores.
No exterior, destaca-se a fachada principal de linguagem contida, marcada pelo portal central e remate em empena, elementos que reforçam a sobriedade do conjunto. Os cunhais em cantaria e a presença de pequenos elementos decorativos conferem-lhe, ainda assim, uma certa dignidade arquitetónica, própria dos edifícios de culto de escala rural mas de forte centralidade comunitária.
Ao longo dos séculos, a capela não foi apenas um espaço litúrgico, mas também um ponto de referência identitária da população de São Romão, acompanhando celebrações, momentos de culto e práticas de religiosidade popular que ajudaram a consolidar a coesão social da freguesia.
Hoje, a Capela de São Romão permanece como um testemunho vivo da história local, onde arquitetura, fé e memória coletiva se cruzam num mesmo espaço, afirmando-se como parte essencial do património cultural da vila.